Irmã Rosalina Correia

O meu ponto de chegada foi o Seminário de Santiago há 57 anos e fui recebida pela nossa querida Mãe Irmã Maria Rosa Campos. Vim com o meu Pároco e sua criada. Cheguei no dia 20 de setembro de 1958, e nesse mesmo dia, depois de uma breve conversa com a nossa Mãe, fomos as duas à presença da Irmã Helena e da Irmã Xavier que me vestiram com um uniforme de Postulante e logo me levaram para ao Patronato de Nª Sª da Torre, dando assim início à minha experiência ao Postulantado até que entrei no Noviciado.
Durante muitos anos quer viesse ou fosse para o Alto-Alentejo, Algarve, Trás-os-Montes, Beira-Alta, Torres Vedras, entre outras, o local de partida e chegada era o Seminário de Santiago. Sempre fui bem recebida e acarinhada pela nossa Mãe. Na sua presença não se sentia falta de nada: a nível material e sobretudo a sua boa disposição: sorriso, carinho, compreensão, caridade, incentivos à perseverança como preparação para as contrariedades da vida que certamente iriam aparecer, porque se diz a ‘vida não é só rosas’.
Sinto-me feliz por ter conhecido a nossa Mãe, ainda hoje sinto saudades das visitas que ela fazia às comunidades gastando-se assim com amor e alegria ao serviço da Igreja como ela muitas vezes dizia: “quero gastar a minha vida a servir a Igreja em cada uma de nós” hoje ao ler e meditar na sua Biografia, dou graças a Deus pelas pessoas que trabalharam na elaboração deste livro: A Senhora do Mar. Como disse a Irmã Teresa Matos, nesta Biografia “a nossa Mãe continua viva no nosso coração, na nossa memória, e no nosso louvor a Deus por tudo o que foi e continua a ser”.
Ao celebrar os meus 50 anos de Consagração como que a senti-a ao meu lado na Igreja e revia o seu rosto materno. Como outrora, agradeci a sua proteção e pedi-lhe, que junto de Deus, faça comigo o caminho que ainda tenho que fazer até ao nosso reencontro.
Este livro: Um rasto de Deus, foi para mim uma agradável surpresa e recebi-o como uma faminta de boas e gratas recordações, que tanta ajuda a Madre Júlia me deu, sem saber que nada da sua pessoa, me passava ao lado. Conheci-a quando entrei para ao noviciado. A Madre Júlia já tinha sido para Vizela mas vinha muitas vezes à casa Geral. Não sei porquê, mas no recreio, no refeitório, na capela os meus olhos só estavam naquela Irmã. Por exemplo uma vez em que estávamos no exercício da Via-sacra, impressionou-me de tal maneira, que não contive as lágrimas e saí d acapela. Quando mais tarde em conversa particular me recomendou que só com os Olhos no céu, Braços na Cruz e o Coração no Sacrário, conseguia ser fiel ao convite que o Senhor me tinha feito com alegria e amor. Então compreendi que tanto me impressionava. Creio que a Madre Júlia vivia permanentemente nesta atitude, de presença de Deus, na Cruz e no Sacrário. Olhos no céu, Braços na Cruz e o Coração no Sacrário, é para mim uma ajuda muito grande porque me faz recordar e viver ensinamentos preciosos e virtudes que preciso de imitar. Certo dia a Madre Júlia fez-me sinal para a acompanhar e retiramo-nos uns passos da comunidade que estava em recreio e perguntou-me se tinha alguém doente na família, perante a minha resposta afirmativa, disse-me: “escreva à sua mãe e diga-lhe que não compre mais injeções para o seu irmão, porque eu vou arranjar essa medicação por via mais económica. Que lá do Céu continue a velar por nós e me ajude a imitar as suas virtudes. Obrigada à Irmã Teresa Matos e quantos com ela colaboraram na concretização do primeiro livro e não me esqueço o senhor Padre João Paulo Quelhas, nas minhas pobres orações pelo trabalho do segundo livro, com o título: Olhos no céu, Braços na Cruz e o Coração no Sacrário.
Não se é Apostolo sem Amor, faz-me reviver a presença real do nosso Fundador e ouvir os seus ensinamentos que tanto bem continuam a fazer.
Numa daquelas visitas surpresas que às vezes fazia às comunidades mais próximas, um dia encontro-me a pôr a mesa para aos seminaristas do seminário-Menos e disse-me: “Irmã Rosalina que está em Nazaré, na Casa da Sagrada Família a pôr a mesa para aquelas três pessoas Divinas, faça as pequenas coisas com muito amor e alegria, porque assim ajuda a sermos fieis e perseverantes. Estávamos na década de 60 do século passado e os seminaristas eram muito e às vezes nem se podia olhar para o lado, mas o senhor Doutor Adão, aparecia sempre na hora certa e com a ajuda certa, nem ele imaginava a eficácia e valor daquelas palavras e daqueles minutinhos. Este livro: Não se é Apostolo sem Amor é como ver e ouvir o senhor Doutor Adão. Recordo como ele nos incutiu a devoção do terço dizia: “quando estiverem duas Irmãs ou uma Irmã e uma menina, seja em que setor de trabalho for, rezem o terço. Hoje verbalmente não faço isto, mas nas horas de silêncio e solidão, estas recomendações do Fundador, fazem-se eco dentro de mim. Na minha vida pessoal muita coisa boa acontece a caminhada procede e com este livro à minha disposição vai ser mais fácil, parece que vejo e ouço o senhor Doutor Adão.
Obrigada ao senhor Padre João Paulo Quelhas e a todas as pessoas que me deram esta ajuda, no ano que me é tão querido: ano da Vida Consagrada, ano dos meus 50 de Consagração, e 75 anos de nascimento, por tudo dou muitas graças ao Senhor.