Ir. Maria Madalena Gomes Duarte



Ir. Emília Almeida – Como se sentiu chamada à vida religiosa?

Ir. Madalena Duarte – Com dezanove anos feitos andava inquieta sem saber que rumo dar à minha vida. Esta inquietação andava só comigo e nunca me abri com ninguém. Um dia fui dar umas horas de voluntariado ao hospital de Penalva do Castelo, onde estavam Irmãs desta Congregação. Observei o seu modo de viver e comecei a sentir uma voz, que me dizia, que podia ser como elas.

Ir. E. A. – Como transmitiu aos seus pais o chamamento que sentia?

Ir. M. D. – Um dia disse à minha mãe que gostava de viver como as Irmãs do hospital e ir para o pé delas.

Ir. E. A. – E como reagiram?

Ir. M. D. – A minha mãe nunca aceitou. Saí ao engano dizendo-lhe que ia dar um dia de trabalho no hospital, mas esse dia nunca mais terminou. Os meus irmãos foram buscar-me, depois a minha mãe e uma tia e as Irmãs disseram-me que estivesse à vontade. Fui à capela rezar e a minha mãe foi ter comigo, bateu-me nas costas e só disse: “quero-te lá em baixo depressa”. Não respondi e como não me mexi e não quis ir com ela, no regresso a casa dirigiu-se à Guarda, pedindo-lhe que me obrigasse a ir embora. Só lhe perguntaram a idade e depois responderam: «está a chegar à maior idade, ninguém a pode obrigar a fazer seja o que for». E cá fiquei.

Ir. E. A. – A Madalena é feliz?

Ir. M. D. – Sim, sou. Sempre fui e sempre me senti feliz.

Ir. E. A. – Porquê?

Ir. M. D. – Porque sempre senti que estava a realizar a vontade de Deus.

Ir. E. A. – Que diria a uma jovem, ou menos jovem, que se encontra em processo de discernimento vocacional?

Ir. M. D. – Contava-lhe a minha história, que a poderia ajudar e dizia-lhe que quando saí foi com o desejo de permanecer, custasse o que custasse, e isso sempre me deu força.

Ir. E. A – Obrigada Ir. Madalena por esta riqueza testemunhal de vida.