Causa de beatificação e canonização do Padre Adão Salgado Vaz de Faria

O Sr. Arcebispo Primaz de Braga, D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga, procedeu solenemente à abertura da Causa de Beatificação e Canonização do sacerdote Bracarense Padre Adão Salgado Vaz de Faria, fundador da Congregação da Divina Providência e Sagrada Família, no dia 12 de Setembro.

O acto teve lugar numa das salas dos Serviços Centrais da Arquidiocese, com a presença da Superiora geral da Congregação, Ir. Maria Aurora Nogueira da Lomba, acompanhada de um número simbólico de Irmãs da sua Congregação. Estiveram presentes o Pároco de Joane e os sacerdotes daí naturais, o Vigário geral da Arquidiocese, Cónego Dr. Valdemar Gonçalves, o Vigário Judicial e os membros do Tribunal empossada: Monsenhor Domingos da Silva Araújo, Juiz delegado, Pe. Dr. João Paulo Coelho Alves, Chanceler da Diocese e Promotor da Justiça nesta causa, e D. Teresa Araújo Gonçalves, Notária.

No uso da palavra a Superiora geral, manifestou o seu regozijo por este passo dado, há tanto tempo desejado pela Congregação — Autora desta causa —, e tão oportuno neste ano preparatório dos 25 anos de morte do agora Servo de Deus, Pe. Adão Salgado Vaz de Faria. Agradeceu a Deus o momento presente, e também a todas as pessoas que irão trabalhar no processo, bem como aos Sacerdotes presentes e aos Srs. Jornalistas. Terminou a sua intervenção, assegurando que as Irmãs darão a sua colaboração através da oração, para que tudo chegue a bom termo e o andamento dos trabalhos decorra segundo a vontade de Deus.

O Vigário Judicial, Cónego Dr. Fernando Sousa e Silva, manifestou a sua alegria pelo passo agora dado. Conheceu o Servo de Deus, Pe. Adão, desde a infância, quando ele pregava na sua terra natal, foi seu aluno no Curso teológico e encontrou-se mais tarde com ele na missão de educador e professor do seminário de Santiago, Braga, de cuja convivência guarda recordações inolvidáveis. Foi seu continuador na Obra das Vocações e Seminários, quando foi incumbido pelo Sr. Arcebispo, ainda durante o Concílio Vaticano II, de organizar o Secretariado Diocesano das Vocações. Descreveu as diversas fases deste processo e formulou votos para ele decorra sem incidentes até à glorificação pela Igreja do Servo de Deus, tanto mais — acrescentou — que se trata de um Sacerdote Apóstolo desta Diocese.

O Monsenhor Domingos Araújo, Juiz Delegado, manifestou a sua disponibilidade para trabalhar generosamente na instrução deste processo, com a alegria de servir.

No encerramento deste acto, o Sr. Arcebispo Primaz começou por afirmar que “este é um dia de alegria para si próprio, para a Congregação da Divina Providência, fundada pelo Padre Adão e para toda a Arquidiocese”, acrescentando que “é um momento de significativa importância, porque o programa pastoral da Diocese do presente ano centra-se na fé vivida, a qual é um dom que se acolhe e se deve manifestar. Neste ambiente surgiu a presente cerimónia, que ultrapassa as paredes da sala e desta casa onde se realiza”, enfatizou.

Continuando o seu discurso afirmou: “Precisamos de testemunhos que nos digam que é possível viver a fé, na fidelidade à vocação. A fé dá alegria e preocupações, como o terá experimentado o Servo de Deus quando fundou esta Congregação”. De resto, Jesus disse: Se alguém quiser vir após Mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. O Pe. Adão testemunhou que era um homem de fé; a fé torna-se caridade.

Descreveu depois brevemente os passos que vão ser dados, concluindo que será a Igreja em Roma, quem irá julgar a heroicidade das virtudes e vida do Pe. Adão Salgado Vaz de Faria. Depois deste reconhecimento, para que o Pe. Adão seja beatificado, será necessária a existência de um milagre devidamente comprovado. Para que este se torne possível, é preciso torná-lo conhecido através de folhetos, pagelas e outros meios de divulgação. Se não for conhecido, não pedirão graças por sua intercessão.

São, pois, dois processos paralelos: um interno — a instrução da causa — e outro externo, que consiste em dar a conhecer a sua vida e obra.

Será todo um trabalho, não meramente burocrático, mas de fé.

É necessário que o Servo de Deus brilhe no presbitério de Braga e seja proposto como modelo de santidade a seguir.